Eu queria ter feito isso, mas não fui eu.
Foi o Reginaldo Pujol Filho, jovem escritor gaúcho publicado pela NÃO-Editora.
E ficou TRIMMMMMASSA!
Tomalá:
Eu queria ter feito isso, mas não fui eu.
Foi o Reginaldo Pujol Filho, jovem escritor gaúcho publicado pela NÃO-Editora.
E ficou TRIMMMMMASSA!
Tomalá:
Eu pretendia aparecer aqui de novo pra postar MILHÕES E MILHÕES de fotos, mas AINDA não é isso que vai acontecer. Pra não decepcionar tanto, fiquem com a catedral de Köln, do ladinho de Bonn, onde morei eu, catedral essa que demorou nada mais nada menos do que 600 - sim, SEISCENTOS – anos pra ser construída:


Aqui um registro da construção das torres da tal Catedral, em 1880:

Eu poderia narrar, por outro lado, aspectos tragi-cômicos da nova vida em Floripa, como por exemplo:
“De como gostei desses bebedouros públicos em tudo que é canto da cidade”
“De como gostei ainda mais da promoção amiga e honesta dos quiosques dos terminais rodoviários 2 salgados + 1 copo de suco = R$ 1,99“
“De como são redundantemente bons e gordurosos os pastéis desses quiosques”
“De como tenho cumprido quase religiosamente o TIBUM NOSSO DE CADA DIA”
“De como tentei comprar um Ford KA numa revenda Volkswagen”
“De como tenho comido pouco peixe e muito miojo”
“De como, durante a Busca Pelo Apto Perdido, fiquei faceiro ao ler num outdoor Diária R$ 12,00, mas era um motel”
“De como tenho raros alunos que me adoram e alguns (vários?) que me odeiam”
“De como o Pimenta anda se comportando bem”
e por aí afora…
Mas estou aqui especialmente pra registrar, ó ávidos leitores da melhor e mais nova literatura contemporânea gaúcha, brasileira e MUNDIAL, o lançamento lá em Poa nessa semana:

Eu não comparecerei, ora veja, por motivos geográfico-profissionais de força maior, mas já estou avaliando a possibilidade de um lançamento além-Rio-Uruguai aqui em Floripa, veremos…
Já TU que tá por aí tens a OBRIGAÇÃO CULTURAL E MORAL de aparecer, além da curiosidade básica, claro!
Nem que seja porque eu terei informantes infiltrados por lá e ficarei sabendo quem vai prestigiar o evento, e lembre-se que uma falta dessas é motivo nobre pra cortar qualquer laço de amizade ou mesmo conhecimento-entre-conhecidos (upa!).
Em tempo, parabéns ao amigo, escritor e editor Samir Machado de Machado (que não lê Machado de Assis, ora veja), por mais essa empreitada!
E boralá rumo ao SUCESSO!
Por hoje é só, pessoal!
Aquelabraço e até quando eu tiver mais fotos ou novidades ou fofocas ou mentiras ou aventuras ou afins!
E eis que agora sigo por Floripa, bem faceiro com as uiuiui aulas que estou uiuiui lecionando na uiuiui Universidade, com várias cousas pra ler e reler e resumir e publicar e procurar e patati e patatá, e mil perspectivas pros próximos semestres e mesmo semanas, porque outras instituições estão, como direi, na ênfase.
Mas volto aqui hoje não ainda por ter lindas fotos pra postar, nem porque são 2:35 da madruga de segunda e eu devia estar dormindo pra procurar teto e transporte amanhã de manhã, mas para narrar rapidito uma situação inusitada d’outro dia.
Cá na pousada onde por enquanto domicilio (tá certo isso? Troço estranho!) tem uma funcionária que veio há pouco de Pelotas, a dona-tia-amiga-de-fé-irmã-camarada Helô. Contava-me ela que seu filho tem 17 anos e quer servir as forças armadas do nosso Brasil Varonil – sejamos educados e não vamos debochar do guri, eu mesmo já avaliei seriamente a possibilidade nos meus (já longínquos) 18 anos, muito embora agradeça até hoje por não ter conseguido.
E aí eu fui colaborar: se o piá quer tanto assim, de repente ele que se puxe e entre numa faculdade, ‘que é pra mó’ de fazer os tais cursos de oficial, NPOR, CPOR, sei lá como chama, o caso é que existe esse interesse das ilustríssimas forças armadas em pegar a gurizada que já se dedicou um pouco pros estudos.
Vai daí que o piá tava pensando em fazer Direito.
Vai daí que a tia Helô achava que o curso não era pro guri, mas não ia se opor.
Vai daí que me sai com essa:
- Mas e precisa fazer Direito pra entrar nesse curso aí?
- Não, qualquer curso superior serve.
- Ah, então pode ser qualquer bobagem… tipo… LETRAS?
E eu concordei, que era pra não me indispor com a tia Helô.
Entonces que como esse ilustríssimo, digníssimo e TÃO BEM FREQÜENTADO blógue (aliás eu pensava que nem ia mais ser freqüentado depois do “anúncio oficial” de sua morte, mas os “numrinhos” aí do lado comprovam que não) foi criado exatamente porque este que vos escreve foi pras Deutschelândia ESTUDAR – creia, fui ESTUDAR, muito embora vários relatos sugiram levemente o contrário -, nada mais justo que eu registre o fim oficial desses estudos.
Vamos aos fatos:
Eis que na sexta-feira última, mui bem escolhida pelo meu ilustríssimo orientador uma sexta-feira 13, a tal da dissertação de mestrado em Literaturas Estrangeiras Modernas, com ênfase em Literaturas de Língua Alemã, do PPGLET\UFRGS, entitulada Imagens e letras do realismo à vanguarda: intercâmbio de influências entre fotografia, pintura e literatura foi oral, visual e digitalmente apresentada.
Eu até ia postar aqui o resumo dela, mas pouparei os caros leitores. Se alguém se interessar mesmo, avisaí que mando um pdf ou o ppt apresentado.
Em resumo a apresentação foi, como direi sem abalar minha humilde modéstia, UM SUCESSO!
Elogios variados, uns válidos outros talvez nem tanto, pouquíssimas alterações (quase nada, eu diria) e notas e conceito final bem, bem, bem legais que justificam TODO o investimento do CNPq e do DAAD neste bolsista chinelo aqui.
Em resumo todos sobreviveram, inclusive o BARRIL de chope que só MÓ-REU no sábado de tardita.
Não me alongarei nos comentários sobre a situação etílica dos comemorantes para poupar alguns elementos de constrangimentos mil – inclusive e principalmente EU MESMO, admito, mas o motivo era nobre, oras!
Em resumo agora eu sou uiuiui MEEEEEEEEEEEESTRE, e tão importante quanto é que este mestre aqui também já é oficialmente PROFESSOR UNIVERSITÁRIO, te mete!
E, como se não bastasse tudo isso, começando com o pé direito em (morra de inveja) FLORIPA, ê maravilha.
Creia: faço parte do “Corpo Docente” da UNIVALI Florianópolis e dou aula pros cursos de fotografia, dezáine gráfico e produção publicitária, ói que fino.
Em resumo já eras e agora sim é que esse blógue “perde” sua função de ser.
Porém minha “veia artística fotográfica” fala mais alto e eu, de novo, prometo postar algumas fotinhos da Deutschelândia e Lorópia em geral qualquer terça-feira chuvosa dessas.
E pra isso conto com a paciência e compreensão de todos.
Ou não.
Entonces que valeu, aquelabraço, te cuida e te comporta mas não muito, é o que aconselha este PROFESSOR UNIVERSITÁRIO MEEEEEEESTRE – lembrando que tem certas cousas que, sendo mestre ou não, sendo professor ou não, decididamente NÃO MUDAM. Rá!
Prost!
Cervejaria japonesa cria cerveja de chocolate
Cerveja da Sapporo tem sabor amargo de chocolate.
Kit com três latas de 350 ml custa cerca de US$ 16.
A cervejaria japonesa Sapporo lançou em janeiro uma edição limitada de uma cerveja de chocolate. Batizada de Chocolat Brewery, a cerveja é fabricada com malte torrado e cacau e tem sabor amargo de chocolate. O kit com três latas de 350 ml custa cerca de US$ 16 (R$ 36). (Foto: Reprodução/Sapporo)
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Que tempos, hein?
Agora tu já pode aplicar uma tipo “vamos lá em casa saborear um chocolatinho?“
Mas anfã, japonês tem cada uma né… Se bem que essa devia ser dos Deutsche!
A quem interessar possa, informo que a minha uiuiui dissertação tá impressa e agora JÁ ERAS (e o quéco?, tu perguntas).
Apresentação em março, upa, tragoléu merecidíssimo na seqüência, boralá.
O que esse blógue ainda faz aqui é algo que eu também me pergunto, mas a julgar pelo número de visitantes (esses numrinho ali em cima), ainda há cidadãos e cidadãs interessadas, ora veja. Até porque tu mesmo(a) tá lendo isso, né!
Agradeço o interesse e, sei lá, mando abraço pra família.
Sim, as fotos existem, acredite! Das quatro mil eu já selecionei novecentas. Agora basta re-re-re-resselecionar, e escolher algumas pra impressão ou algo do tipo (eureka!). E quando eu for fazer isso e como eu já prometi, postarei algumas aqui antes de apagar esse simpático e tão representativo – pra mim, ao menos – endereço de blógue.
Por hoje é só, crianças, direto da Alemanha Brasileira – Joinville, Jaraguá, Blumenau e arredores… – aquelabraço.
Não, eu não esqueci de postar umas fotos interessantes (entre as QUATRO MIL há de ter uma meia dúzia NO MÍNIMO interessante, né!) da Deutschelândia e Lorópia em geral, mas é que não consegui editar ainda.
Sim, eu sei que essa tá ficando manjada, mas é sério.
Mas é que tou re-re-re-re-re-re-revisando minha dissertação – aliás devia estar fazendo isso nesse exato momento! – e assim que ela ficar pronta verei umas fotos e talicoisa e coisital.
Enquanto isso, direto do garrão do nosso Brasil Varonil, tomalá uma notícia BOMBÁSTICA, da série “Utilidade pública”. E antes que alguém pergunte, não, eu não tou interessado:
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Curso é oferecido pela Universidade de Potsdam, na Alemanha.
Alunos irão aprender a flertar ao escrever torpedos e e-mails.
Mesmo os nerds de computador com dificuldades de relacionamento podem aprender a flertar com sutileza. Essa é a proposta de um curso oferecido pela Universidade de Potsdam, na Alemanha, que pretende ensinar as pessoas tímidas e solitárias a flertar.
O curso, por sinal, já despertou interesse e tem 440 inscritos. Dentro do programa, os alunos matriculados irão aprender a flertar ao escrever mensagens de texto e e-mails e a impressionar as pessoas em festas, além de lidar com a rejeição.
“Nós queremos preparar os nossos alunos com as habilidades sociais necessárias para ter sucesso tanto na vida privada quanto na vida profissional”, disse Hans-Joachim Allgaier, portavoz do instituto na Universidade de Potsdam, onde o curso está sendo oferecido.
O curso começou nesta segunda-feira e faz parte da área de tecnologia da informação da universidade alemã.
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Que tempos!
Uma das cousas que tava começando me incomodar lá na Deutschelândia era, como direi, a FRIAAAAAAACA danada que tava fazendo. Claro que a neve é linda, gelar ceva pra fora da janela do teu quarto é uma praticidade enorme e afinal de contas eu já tava voltando pro nosso, como diria o amigo Benjor, país tropical. Mas incomodava porque a deutsche simpatia, que sendo bondoso já não é lá grandes cousas, fica ainda mais, como direi, GÉLIDA.
É meio que automático, e gentes não alemãs que moram lá há teeeempos ainda sentem isso (pesquisa Data-Cocada feita no boca-a-boca) a todo início de inverno. Eu mesmo acordei vários dias e ao olhar pro espelho perguntava “que que foi, que que foi, que que há? Que tá me olhando, ô zoiúdo?”. Ou então é uma tristeza que vem e não vai mais, te põe pra baixo, mais e mais, nem uma deutsche Bier te anima (bãi, caso SÉRIO!), o sol não aparece, tudo é cinza, gelado, tiriritante, ô friaca do cão, de renguear até pingüim!
É por isso que nosso calor tropical encanta muitos europeus e estrangeiros de países frios em geral, não só pelos minúsculos trajes que (crêem eles) TODAS as lindas mulheres brasileiras exibem por aí mas também porque o calor do sol esquenta as pessoas, as mentes e os corações (uóóóóómmm que liiiiiiindo).
As crianças bem sabem disso, e é pra elas que esse post todo é dedicado, pras crianças e pras crianças grandes que já tentaram fugir de casa e chegaram no máximo até na esquina.
Toma o que te mandaram (e perceba o sorriso preocupado no semblante dos pimpolhos):
Mika e Anna-Lena saíram de casa enquanto seus pais dormiam.
Crianças andaram durante um quilômetro e pegaram trem até Hanover.
Duas crianças -Mika, de 6 anos, e Anna-Lena, de 7, fugiram de casa no dia 1º de janeiro com a intenção de casar na África, informou nesta segunda-feira (5) a polícia alemã. Juntos com eles, estava a irmã mais nova de Anna-Lena.

Segundo Holger Jureczko, portavoz da polícia alemã, Mika e Anna-Lena “decidiram casar na África, porque lá faz calor, e ter como testemunha a irmã mais nova de Anna-Lena, Anna-Bell, de 5 anos”.
Na manhã do dia 1º de janeiro, para enfrentar a aventura, os três fizeram suas malas, na qual colocaram óculos de sol, acessórios para a praia, roupas leves e algo para comer, informou a polícia.
Eles deixaram a residência em que moram em Langenhagen, próximo a Hanover, enquanto seus pais (o pai de Mika vive com a mãe de Anna-Lena e Anna-Bell) dormiam.
As três crianças andaram durante um quilômetro, atravessaram a cidade, pegaram o trem até a estação central de Hanover, onde pretendiam pegar o serviço de transporte até o aeroporto, disse Jurecsko.
No entanto a presença das três crianças na estação chamou a atenção de funcionários, que avisaram a polícia. Após chegarem, os agentes policiais convenceram as crianças que, sem dinheiro e passagem, não conseguiriam chegar à África.

“Idéias que se têm quando se bebe, no outro dia freqüentemente são uma bosta total.”
Entonces que eu pensava que só havia duas cousas realmente constrangedoras pro gaúcho, quais sejam ter sua china véia surrupiada por um argentino ou perder seu pingo baio num jogo de osso. Não que qualquer uma dessas tenha acontecido comigo, mas a gente aqui do Sul consegue avaliar o quanto um gaudério haveria de se constranger com uma situação maleva dessas.
Pois que descobri outra cousa ruim barbaridade!
Já tinha me acontecido quando encarei um BIFE À MILANESA do Tudo Pelo Social já nos primeiros dias de volta ao garrão do Brasil: fui pra casa massageando a pança que doía e doía e doía…
Pois que aqui em Ijuí o negócio foi ainda pior: o gordo apareceu de susto e resolvemos atracar naquele “salchipão” rápido e honesto, pero que mui maldoso. Me atraquei numas toscanas e só no domingo é que percebi a falta que tá me fazendo as deutsche batata, porque o corpo véio esgualepado se viu mal. EU me vi mal. MUITO mal. MAL UMA BARBARIDADE!
Tchê, o “estômo” não reconhece mais carne e agora até rejeita! Que tristeza pra vida do gaúcho!
Mas bâmo que bâmo.
Desde ontem já tô melhorzito e hoje de noite o Rebelde tá convidando prum churras buenacho na casa dos Castoldi. Entonces…
Proooooooooooooooooooost!
Entonces que yo ja estibe en Madri e usted no puede imaginar como la ciudad es buenacha.
Tanto que até nisso que eu resmungo e nem me atrevo a chamar de portuñol todo mundo me entendeu, porque as pessoas tinham interesse e vontade, ó quanto tempo que eu não via isso…
Pati me encontrou por lá, passeamos un tantito, tomamos unas cervezitas españolas e talicoisa e coisital e foram dias trimmmmassa no meio daquele gente muito mais.
Se você gosta de gente simpática, festas em lugares muito massa e bastante cultura na mesma ciudad (aliás tem um tal de Barrio de las Letras, onde viveu nada mesmo do que CERVANTES, rá!), anote pra lista de dicas: VÁ A MADRI!
Fotos não tirei muitas porque o sol não ajudou, mas na saída, obviamente, alguma coisa tinha que acontecer. Foi embarcando de volta pro Brasil que lembrei de uma história da minha primeira estada na Alemanha.
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Lá por setembro de 1999 eu tive um probleminha besta com um dedo da mão (que aliás tá meio tortinho até hoje) e fui no médico (besta mesmo foi a causa do probleminha: caí duma escada e me esborrachei!). Não fazia 1 mês que eu estava lá, e é totalmente compreensível que meu vocabulário ia muito pouco além de por favor, com licença, puta merda e cerveja.
Meu chefe me levou pruma deutsche clínica e a deutsche secretária que me atendeu falou um monte de deutsche cousas que eu obviamente não entendi e apontou pruma deutsche porta, pra onde me fui, todo cheio de deutsche dúvida.
Era uma sala de espera, e eu fiquei esperando no meio dum monte de véio alemão (era uma clínica ortopédica, imagine você). Peguei uma revista pra ver as figurinhas e esperei. Então surgiu uma enfermeira com uma planilha e chamou: Senhor Fritz (o nome não é esse), e um deutsche idoso levantou e seguiu a deutsche enfermeira. Logo ela voltou: Senhor Volkswagen (também não é esse). E depois: Senhor Telefunken (idem), e assim foi.
l.á pelas tantas ela voltou à sala: Senhor Juchem.
E eis que aconteceu algo curiosíssimo: eu ouvia o sobrenome da minha família dito da maneira correta por um desconhecido pela primeira vez na vida!
Compreenda: num país de Silva, Santos, Machado, Oliveira etcetal, chamar-se Juchem (que lê-se Iúhem) é relativamente complicado. Pra facilitar, eu sempre digo como se escreve: jú-xem, ajuda mas não soluciona tudo, e eu sempre devo soletrar se alguém precisa anotar.
Mas ali naquela sala de espera, finalmente eu ouvia um Juchem em alto e bom som, em alto e bom Deutsch. E fiquei de olho: quem seria meu parente ali naquela sala? O tio gordo lá do fundo? O senhor de óculos ao meu lado? Seria um tio-avô ou um parente de um tataravô do meu pai? Ou talvez um primo de terceiro ou quarto grau? Ah, que beleza, que terra acolhedora essa, mal cheguei e já tou encontrando parentes que jamais imaginava ter!
E a enfermeira repetiu: Senhor Iúhem?
E ninguém se mexeu.
E eu pensei: Mas só pode ser parente mesmo, bocó desse jeito, não sabe nem quem é ele mesmo! Será que eu vou ter que cutucar os velhotes aí perguntando: Primão? Tio-avozão?
Perceba que eu era um garoto dos seus 19 aninhos acostumado a ser chamado de Marcelo, Cocada, Ô tu aí ou mesmo e mui recorrentemente Piá de bosta.
E a enfermeira repetiu, olhando fixa e já algo nervosa: Senhor Iúhem? O senhor (e apontou o indicador pra mim) não é o Senhor Juchem?
Fiz que não com a cabeça, mas ameaçando balançar um sim. Então ela olhou pros documentos na prancheta e arranhou:
- Senhor MaRRRRcelo Juchem?
Então eu levantei e segui a moça.
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Pois no aeroporto de Madri, que por sinal é todo uiuiui com uma arquitetura aiaiai e não sei quê e não sei que lá, cheguei cedo que era pra não me atrapalhar, sabe como é esses vivente grosso lá de Ijuí acostumado com a Ouro & Prata. Tive que abandonar mais uns livros (já havia deixado uns em Frankfurt), uma calça, umas camisetas e um pacote de balas pra não excerder os 32 kg de cada mala até que finalmente consegui despachá-las. Me indicaram em que direção era o portão de embarque e me fui.
Ainda tive a SORTE INDESCRITÍVEL de achar 6 lindos e encantadores livros do CALVIN EN ESPAÑOL e investi as últimas notas de euro. Mas ainda tinha umas moedas e demorei mas achei um bareco onde pude investí-las muito bem.
De barriga vazia e bem alegrinho, duas cevas GRANDES depois eu pensei: tá na hora, boralá.
Fui pro tal portão com meia hora de antecedência porque eu sou assim, organizado, obediente, não gosto de criar caso por pouca cousa, ainda mais nos estrangêro, ora veja lá como fica a moral do Brasil e daqueles que não desistem nunca!
Pois foi nesse portão que descobri que ainda tinha que pegar OUTRO trem DENTRO do aeroporto (já tinha pego um, ou era um busão, ou um trenó, aiaiai…) pra só então chegar no tal embarque propriamente dito.
Detalhe: o trem demorava exatos 22 minutos, hihiiiiiiiiii, o que deixava minha meia hora bem menor do que uma meia hora normalmente representa.
Não vou me alongar nos relatos sobre minha correria e atropelo pra subir escadas rolantes de 3 em 3 degraus, correr perdidão perguntando Donde es lo portón U Cinco-cinco e outras situações desesperadoras, resumo apenas que quando escutei pelos alto-falantes de TODO o aeroporto Atención, atención, Señor Juchem, Señor Passagero Marcelo Juchem, favor… eu já sabia que não era nenhum parente meu, mas si, por supuesto EU MESMO, alaspucha!
Então corri um pouco mais e de longe o funcionário da Iberia me viu correndo todo destrambelhado e gritou Señor Juchem?
E eu: ja, ja, digo, si, por supuesto!
E ele: estás muy atrassado, Señor.
E eu: si, si, por supuesto, pero estoy acá!
Ele mal conferiu meu passaporte, devolveu e eu segui correndo pelo túnel que levava ao avião. Já na portinha una elegante pero no muy simpatica comissión de funcionários — acho até que o Señor Comandante tava por ali também — me aguardava:
— Señor Juchem?
— Si, si, por supuesto!
— Finalmente! Entonces podemos decolar.
E outro gritou pra dentro da cabine:
— Si, el Señor chegou. Ahora podemos ir.
Falaram isso ou algo parecido, meu español obviamente não é lá o bicho, entendi que o bonito aqui era o motivo pro tal avião ainda não ter decolado e ninguém tava muy contente com isso, rá. E sem falar na cara dos outros passageiros quando entrei triunfante para a Classe Econômica.
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Aliás, acho bom eu parar com esse xalalá aqui e rumar pro portão de embarque de novo. No momento tou em São Paulo, embarco pra Poa daqui a pouco e hoje de noite ainda espero comer uma carne e tomar uma caipa do Gordo, veremos…
Salud!