Entonces que yo ja estibe en Madri e usted no puede imaginar como la ciudad es buenacha.
Tanto que até nisso que eu resmungo e nem me atrevo a chamar de portuñol todo mundo me entendeu, porque as pessoas tinham interesse e vontade, ó quanto tempo que eu não via isso…
Pati me encontrou por lá, passeamos un tantito, tomamos unas cervezitas españolas e talicoisa e coisital e foram dias trimmmmassa no meio daquele gente muito mais.
Se você gosta de gente simpática, festas em lugares muito massa e bastante cultura na mesma ciudad (aliás tem um tal de Barrio de las Letras, onde viveu nada mesmo do que CERVANTES, rá!), anote pra lista de dicas: VÁ A MADRI!
Fotos não tirei muitas porque o sol não ajudou, mas na saída, obviamente, alguma coisa tinha que acontecer. Foi embarcando de volta pro Brasil que lembrei de uma história da minha primeira estada na Alemanha.
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Lá por setembro de 1999 eu tive um probleminha besta com um dedo da mão (que aliás tá meio tortinho até hoje) e fui no médico (besta mesmo foi a causa do probleminha: caí duma escada e me esborrachei!). Não fazia 1 mês que eu estava lá, e é totalmente compreensível que meu vocabulário ia muito pouco além de por favor, com licença, puta merda e cerveja.
Meu chefe me levou pruma deutsche clínica e a deutsche secretária que me atendeu falou um monte de deutsche cousas que eu obviamente não entendi e apontou pruma deutsche porta, pra onde me fui, todo cheio de deutsche dúvida.
Era uma sala de espera, e eu fiquei esperando no meio dum monte de véio alemão (era uma clínica ortopédica, imagine você). Peguei uma revista pra ver as figurinhas e esperei. Então surgiu uma enfermeira com uma planilha e chamou: Senhor Fritz (o nome não é esse), e um deutsche idoso levantou e seguiu a deutsche enfermeira. Logo ela voltou: Senhor Volkswagen (também não é esse). E depois: Senhor Telefunken (idem), e assim foi.
l.á pelas tantas ela voltou à sala: Senhor Juchem.
E eis que aconteceu algo curiosíssimo: eu ouvia o sobrenome da minha família dito da maneira correta por um desconhecido pela primeira vez na vida!
Compreenda: num país de Silva, Santos, Machado, Oliveira etcetal, chamar-se Juchem (que lê-se Iúhem) é relativamente complicado. Pra facilitar, eu sempre digo como se escreve: jú-xem, ajuda mas não soluciona tudo, e eu sempre devo soletrar se alguém precisa anotar.
Mas ali naquela sala de espera, finalmente eu ouvia um Juchem em alto e bom som, em alto e bom Deutsch. E fiquei de olho: quem seria meu parente ali naquela sala? O tio gordo lá do fundo? O senhor de óculos ao meu lado? Seria um tio-avô ou um parente de um tataravô do meu pai? Ou talvez um primo de terceiro ou quarto grau? Ah, que beleza, que terra acolhedora essa, mal cheguei e já tou encontrando parentes que jamais imaginava ter!
E a enfermeira repetiu: Senhor Iúhem?
E ninguém se mexeu.
E eu pensei: Mas só pode ser parente mesmo, bocó desse jeito, não sabe nem quem é ele mesmo! Será que eu vou ter que cutucar os velhotes aí perguntando: Primão? Tio-avozão?
Perceba que eu era um garoto dos seus 19 aninhos acostumado a ser chamado de Marcelo, Cocada, Ô tu aí ou mesmo e mui recorrentemente Piá de bosta.
E a enfermeira repetiu, olhando fixa e já algo nervosa: Senhor Iúhem? O senhor (e apontou o indicador pra mim) não é o Senhor Juchem?
Fiz que não com a cabeça, mas ameaçando balançar um sim. Então ela olhou pros documentos na prancheta e arranhou:
- Senhor MaRRRRcelo Juchem?
Então eu levantei e segui a moça.
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Pois no aeroporto de Madri, que por sinal é todo uiuiui com uma arquitetura aiaiai e não sei quê e não sei que lá, cheguei cedo que era pra não me atrapalhar, sabe como é esses vivente grosso lá de Ijuí acostumado com a Ouro & Prata. Tive que abandonar mais uns livros (já havia deixado uns em Frankfurt), uma calça, umas camisetas e um pacote de balas pra não excerder os 32 kg de cada mala até que finalmente consegui despachá-las. Me indicaram em que direção era o portão de embarque e me fui.
Ainda tive a SORTE INDESCRITÍVEL de achar 6 lindos e encantadores livros do CALVIN EN ESPAÑOL e investi as últimas notas de euro. Mas ainda tinha umas moedas e demorei mas achei um bareco onde pude investí-las muito bem.
De barriga vazia e bem alegrinho, duas cevas GRANDES depois eu pensei: tá na hora, boralá.
Fui pro tal portão com meia hora de antecedência porque eu sou assim, organizado, obediente, não gosto de criar caso por pouca cousa, ainda mais nos estrangêro, ora veja lá como fica a moral do Brasil e daqueles que não desistem nunca!
Pois foi nesse portão que descobri que ainda tinha que pegar OUTRO trem DENTRO do aeroporto (já tinha pego um, ou era um busão, ou um trenó, aiaiai…) pra só então chegar no tal embarque propriamente dito.
Detalhe: o trem demorava exatos 22 minutos, hihiiiiiiiiii, o que deixava minha meia hora bem menor do que uma meia hora normalmente representa.
Não vou me alongar nos relatos sobre minha correria e atropelo pra subir escadas rolantes de 3 em 3 degraus, correr perdidão perguntando Donde es lo portón U Cinco-cinco e outras situações desesperadoras, resumo apenas que quando escutei pelos alto-falantes de TODO o aeroporto Atención, atención, Señor Juchem, Señor Passagero Marcelo Juchem, favor… eu já sabia que não era nenhum parente meu, mas si, por supuesto EU MESMO, alaspucha!
Então corri um pouco mais e de longe o funcionário da Iberia me viu correndo todo destrambelhado e gritou Señor Juchem?
E eu: ja, ja, digo, si, por supuesto!
E ele: estás muy atrassado, Señor.
E eu: si, si, por supuesto, pero estoy acá!
Ele mal conferiu meu passaporte, devolveu e eu segui correndo pelo túnel que levava ao avião. Já na portinha una elegante pero no muy simpatica comissión de funcionários — acho até que o Señor Comandante tava por ali também — me aguardava:
— Señor Juchem?
— Si, si, por supuesto!
— Finalmente! Entonces podemos decolar.
E outro gritou pra dentro da cabine:
— Si, el Señor chegou. Ahora podemos ir.
Falaram isso ou algo parecido, meu español obviamente não é lá o bicho, entendi que o bonito aqui era o motivo pro tal avião ainda não ter decolado e ninguém tava muy contente com isso, rá. E sem falar na cara dos outros passageiros quando entrei triunfante para a Classe Econômica.
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Aliás, acho bom eu parar com esse xalalá aqui e rumar pro portão de embarque de novo. No momento tou em São Paulo, embarco pra Poa daqui a pouco e hoje de noite ainda espero comer uma carne e tomar uma caipa do Gordo, veremos…
Salud!
Mas tche! Como é que tu consegue!
Não trouxe uma notinha pros amigos..
torrou tuuudo em ceva!
Beijoooo!
Ja de volta ao Brasil!!!! o tempo passa muito rapido… Constatacao de uma velha!
bju
“Sicaguei” de tanto rir da história da sala de espera, hahaha. GENIAL!
Ah, pois é, imagina que me aconteceu o mesmo em Madri quando cheguei “nas Európia”. A sorte é que aconteceu com 50% das pessoas que iam no vôo para Lisboa, visto que o vôo de SP chegou atrasado (TINHA que ser vindo do Brasil, né?), então eles tiveram que esperar. Realmente, aqueles 596906 trens e corredores e elevadores e portões são para matar o vivente!
Eeeeei, me manda o resto das fotos e ajuda a fazer uma pressão para a Pati mandar as dela também, ok? Pode deixar que vou voltar lá na deutschlândia e tomar várias por ti, na companhia da tua gaaaaata, hahaha. MORRA DE INVEJA.
P.S.: JURO que enquanto tava escrevendo esse comentário, começou a tocar “ring of fire” no meu “uiuiui ipooood” e lembrei da banda “das idade média”, hehe.
Beijão da Lusitana!